O São Paulo, obviamente, não é líder do Campeonato Brasileiro à toa. O topo foi alcançado por uma equipe firme, de atitude e personalidade raras nas temporadas anteriores, aspectos vindos na bagagem de jogadores rodados. Há também uma estratégia, assumida pelo técnico Diego Aguirre, muito bem executada até aqui: o contra-ataque rápido, orquestrado, eficiente, respaldado por três zagueiros em frequente alto nível: Arboleda, Bruno Alves e Anderson Martins.

Os três pontos conquistados no último domingo reforçaram a consolidação de uma identidade, um estilo, algo que o clube buscava há tempos e conseguiu com o uruguaio. A ponto de novos atletas entrarem e não comprometerem o funcionamento coletivo, casos do atacante equatoriano Rojas e do jovem volante Luan Santos – no domingo passado –, por exemplo.

O Morumbi também viu brilhar novamente Everton, melhor jogador do São Paulo neste campeonato. Contratação precisa da diretoria, o meia-atacante participa de uma infinidade de lances decisivos. Jogador grande, solidário, de uma prateleira que faz diferença.

Mas a vitória suada por 2 a 1 sobre o Vasco, que alçou o Tricolor à liderança, deixou alertas:

Veja os melhores momentos da vitória do São Paulo sobre o Vasco
Parte física
O desempenho melhorou quando Nenê (37 anos) e Diego Souza (33) foram substituídos por Gonzalo Carneiro e Tréllez, dois jogadores tecnicamente inferiores. Os veteranos, especialmente o camisa 10, parecem esgotados pela sequência pós-Copa: Flamengo, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Colón e Vasco. Foram seis partidas em 19 dias. Eles participaram de todos.

A semana que se inicia, sem jogos, será fundamental na recuperação desses dois, e de outros mais desgastados. Em situação complicada na Copa Sul-Americana após ter sido derrotado pelo Colón no Morumbi, o São Paulo terá de planejar o elenco para manter Nenê e Diego Souza nas melhores condições possíveis pelo maior tempo possível. É importante tê-los em campo, se estiverem bem.

No último domingo, a dupla poderia ter saído até antes. Sem energia para combater a saída de jogo do Vasco, eles correram errado, se cansaram ainda mais e não pouparam força para decidir com a bola nos pés. Tréllez e Carneiro deixaram o setor mais robusto e o colombiano garantiu a vitória.

São Paulo comemora o gol de Tréllez (Foto: Marcos Ribolli) São Paulo comemora o gol de Tréllez (Foto: Marcos Ribolli)
São Paulo comemora o gol de Tréllez (Foto: Marcos Ribolli)
Bola no chão
É verdade que a estratégia de ser reativo gerou grandes momentos no Brasileirão, mas, daqui para frente, pouquíssimas equipes darão ao São Paulo as condições propícias para realizá-la. Ou seja, não será comum um adversário pressionar e ceder espaços. Por dois motivos:

respeito ao líder;
compreensão de que essa é a armadilha tricolor.
Contra o Vasco, o São Paulo mostrou um problema recorrente: a falta de afinidade com a bola no chão. É um time muito vertical, que usa cada cobrança de lateral para se aproximar da área rival em transições diretas, mas não tem paciência e/ou recursos e/ou orientação para trocar mais de cinco passes e tentar construir suas jogadas ofensivas.

Se o time comandado por Dorival Júnior beirava a sonolência com aquele “bola pra lá, bola pra cá” eterno, a posse inútil, esse de Aguirre precisa encontrar variações. Não se trata necessariamente de ter mais posse de bola, já que seu ponto forte é o contra-ataque, mas de lidar melhor com ela no tempo que tiver o domínio, sejam 90% ou 30%.

Campeão em 2017, o Corinthians despertou a discussão sobre a importância da posse de bola ao abrir mão dela. Mas quando a tinha, fazia triangulações graças a aproximações de seus atletas.

No lance abaixo, Militão e Rojas, que ocupam o lado direito do São Paulo, precisam do apoio de um meio-campista para não ficarem encurralados, mas nem Hudson nem Liziero nem Nenê aparecem.

Rojas e Militão tentam jogada pelo lado direito do São Paulo
Esse foi um momento em que o São Paulo ficou menos tempo com a bola do que poderia. Houve dezenas na vitória sobre o Vasco. Abaixo, um pequeno e rápido compilado.

São Paulo não tem paciência para ficar com a posse de bola contra o Vasco
Se há alguém que foge à regra é ele, Everton. Quando ele sai da ponta e povoa o meio, se aproxima dos jogadores centrais, as jogadas fluem. O primeiro gol saiu assim. Ele precisa fazer mais isso. Assim como Liziero precisa ser mais dono da bola. Ele tem qualidade, visão e técnica apuradas para tocar, receber, girar, reger. Não há jogador melhor do que ele no elenco para refinar o jogo.

O São Paulo terá de mostrar mais repertório para manter a posição conquistada com méritos. O São Paulo merece ser líder do Brasileirão neste momento, é bom deixar isso claro. São jogadores absolutamente comprometidos com seus companheiros, sua comissão, sua torcida. Uma sintonia que embala uma campanha empolgante, mas ainda muito longe de ser vitoriosa.GE

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