Em testes, vacinas contra coronavírus podem ser liberadas em setembro

Desde que os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados em Wuhan, na China, muito se tem questionado sobre a criação de novas vacinas para proteger a população. Dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a covid-19 já infectou 3.517.345 pessoas e deixou mais de 200 mil mortos no mundo. No entanto, até o momento, ainda não há vacina alguma contra a covid-19 aprovada para comercialização. Apenas oito estão liberadas para testes, e outras 108 se encontram em fase inicial de estudo.

Uma das vacinas em fase de teste foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A vacina, que começou a ser testada em abril, foi denominada ChAdOx1 nCOV-19 e é produzida a partir do material genético enfraquecido de um vírus do resfriado comum. Os pesquisadores adicionaram um material genético do coronavírus que é responsável pela produção das proteínas encontradas na superfície do Sars-COV-2. Caso a eficácia seja comprovada, doses desta vacina devem ser disponibilizadas até setembro de 2020.

Na China, uma vacina começou a ser testada em voluntários no dia 21 de abril de 2020. Os pesquisadores irão testar se foram criados anticorpos e se os voluntários se tornaram imunes ao vírus.

No Brasil, pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, estão desenvolvendo uma vacina a partir de um mecanismo usado por algumas bactérias para enganar o sistema imunológico humano. No estudo realizado, os pesquisadores irão utilizar pequenas bolhas, ou vesículas, fabricadas em laboratório e que serão acopladas nas vesículas proteínas da superfície do novo coronavírus. O objetivo é que, em contato com o sistema de defesa, as bolhas criem uma memória imunológica no organismo e estimule a produção de anticorpos específicos contra a covid-19.

Etapas da elaboração das vacinas

Apesar de oito vacinas estarem liberadas, até o momento, para testes, o médico pediatra Eduardo Jorge, um dos sócios da clínica Vaccine, alertou para o tempo de elaboração de uma vacina. Segundo ele, uma vacina pode demorar dez anos para ser desenvolvida.

“Nós temos que lembrar que é um novo medicamento, uma nova vacina. Uma coisa é você ter estudado dez mil pessoas. Outra coisa é você aplicar esta vacina em milhões de pessoas”, disse.

Etapa 1 – A etapa 1 consiste no teste em animais, como por exemplo os ratos. Esta primeira etapa só pode ser realizada após codificar o vírus, entender a resposta imunológica, ter a perspectiva de qual tipo de vacina (vacinas de vírus atenuado, inativado, etc), entre outros processos incluídos na chamada fase pré-clínica.

Etapa 2 – Após o teste nos animais, a vacina começa a ser testada em pessoas. Segundo explicou o médico Eduardo Jorge, neste processo entre 100 e 300 pessoas são testadas. As oito vacinas em estudo contra o novo coronavírus estão nesta etapa.

Etapa 3 – Nesta fase, entre cinco mil e dez mil pessoas são vacinadas. De acordo com Eduardo Jorge, uma vacina só pode ser liberada para comercialização após o estudo em, no mínimo, essa quantidade de pessoas. “Para se ter uma ideia, o estudo da vacina do rotavírus foi realizado em 80 mil pessoas em várias partes do mundo antes de ser liberada”, comentou. Após a terceira fase, haverá o registro e aprovação da vacina.

Etapa 4 – Após a vacina estar liberada para uso e disponibilizada aos produtores, é necessário acompanhar como ela se comportará nas outras pessoas. “Está é a fase de acompanhamento após a vacina já estar em uso nos primeiros meses. Os principais objetivos do estudo de fase 4 é exatamente detectar esses eventos adversos raros que não foram vistos em estudo de fase 3”, explicou.

Na avaliação do médico pediatra, a vacina do novo coronavírus será a vacina mais rápida a ser desenvolvida, e que, em cinco meses os cientistas conseguiram realizar um trabalho feito, geralmente, em cinco anos. “Nós esperamos que esses estudos de fase 2 terminem em junho ou julho, e comece os estudos de fase 3 em seguida. Na minha opinião, acho que vai ser a vacina mais rápida a ser desenvolvida da história da humanidade. Mas eu não tenho expectativa que isso aconteça antes do fim do ano. Há uma promessa do laboratório para outubro, mas eu acho isso uma coisa animadora demais. No próximo ano, com certeza, nós vamos ter alguma dessas vacinas”, comentou.

Segundo ele, esse avanço nas etapas só foi possível porque a China codificou o vírus ainda em dezembro, e que já se tem a plataforma para dois outros coronavírus, são eles: a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), identificada em 2003, e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), descoberta em 2012.

O médico ainda ressaltou que, até a vacina estar pronta, é necessário manter a quarentena. “A chave da resposta dessa pandemia está na vacina. Até chegar a vacina, temos que estar no isolamento social. Eu só vejo essas duas coisas importantes para essa pandemia. Antes da vacina, não afrouxar o isolamento”, frisou.

 

 

Fonte: Pernambuco notícias

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